CORONAVÍRUS

Atletas brasileiros elogiam o adiamento dos Jogos Olímpicos

Darlan Romani: "Foi uma boa decisão" (Foto: Wagner Carmo/CBAt)

Darlan Romani, Caio Bonfim, Almir Junior e Érica Sena estão tristes, mas acham que a decisão foi acertada em função das dificuldades de treinamento, do cancelamento de competições e pelo combate à pandemia de coronavírus

Bragança Paulista - Os atletas brasileiros com índices para disputar o atletismo da Olimpíada de Tóquio-2020, embora de certa forma frustrados, elogiaram a decisão do Comitê Olímpico Internacional (COI) e do governo do Japão de adiar os Jogos Olímpicos para 2021, em razão da pandemia de coronavírus.

Os qualificados Darlan Romani, Caio Bonfim, Almir Junior e Érica Sena enfrentam dificuldades de treinamento, por causa da quarentena, e pelo cancelamento de campings e competições.

Veja abaixo os depoimentos:

Darlan Romani, melhor atleta do atletismo nos últimos dois anos, quarto lugar no arremesso do peso no Mundial de Doha-2019, recordista sul-americano e qualificado para os Jogos Olímpicos de Tóquio-2020.

"Foi uma boa decisão. Os atletas precisam treinar para dar o máximo numa competição como a Olimpíada. Tenho um setor ao lado da minha casa e estou podendo treinar, mas e quem mora em apartamento? A diferença não é justa. Estamos proibidos de sair de casa por causa do vírus. A Olimpíada tem um significado especial, de união das nações, mas isso não seria possível. Vamos batalhar, rever nossos planos para 2021. O sonho continua."

Caio Bonfim, quarto colocado nos Jogos do Rio-2016 e qualificado para competir os 20 km da marcha atlética na Olimpíada.

"Acho que foi uma decisão acertada. A situação provocada pelo coronavíus está muito complicada. Tanto os que tinham os índices e como os que tentavam estavam com dificuldades pelo cancelamento ou adiamento de competições. Comecei a me preparar para Tóquio antes da Olimpíada do Rio. Os Jogos exigem um período grande de treinamento. Infelizmente a medida teve de ser tomada e agora a medalha é superar essa pandemia."

Almir Junior, vice-campeão mundial indoor em Birmingham 2018 e qualificado no salto triplo.

"Foi a decisão correta do COI. Não tínhamos mesmo condições de realizar os Jogos Olímpicos nesta situação de pandemia. Apesar disso, admito estar frustrado. Estou treinando desde outubro, sem Natal, sem Ano Novo. Tive de abrir mão de muitas coisas nesse período. Me preparei para ter o melhor ano de minha vida. Agora é reprogramar tudo. Torcer para que pandemia passe da melhor forma possível. Fique em casa!"

Érica Sena, quarta colocada nos 20 km marcha atlética no Mundial de Doha-2019 e qualificada para os Jogos de Tóquio.

"Estão sendo momentos difíceis nesses dias que estou aqui dentro de casa em quarentena obrigatória em Cuenca, no Equador. Estão sendo dias realmente difíceis e não esperávamos passar por isso. Adaptamos alguns treinos, da melhor forma possível. Eu tenho uma esteira em casa e posso adaptar alguns treinos, mas é muito complicado treinar só em esteira, as sensações são muito diferentes. Há uma semana, eu tinha camping na Europa, onde iria realizar treinamentos e de repente tudo mudou, voos cancelados, campings cancelados, centros de treinamentos fechados, todas as competições canceladas ou adiadas. Hoje os Jogos Olímpicos foram adiados para 2021. E era algo com o que realmente não contava. Como atleta fico triste porque são anos de treinamento para essa competição, a mais importante e esperada pelos atletas e fico muito triste com isso. Porém, como ser humano acredito que foi a melhor decisão tomada pelo COI."

A Caixa é a Patrocinadora Oficial do Atletismo Brasileiro.