JOGOS OLÍMPICOS

De novato a destaque, a rápida evolução de Alison dos Santos

Alison, orgulho por pertencer a jovem geração de brasileiros olímpicos (Foto: Wagner Carmo/CBAt)

Mais jovem integrante da equipe brasileira masculina de atletismo, o recordista sul-americano dos 400 m com barreiras é apontado entre os favoritos na competição olímpica por especialistas e até por fortes adversários como o norte-americano Rai Benjamin

Bragança Paulista – O paulista Alison dos Santos é o integrante mais jovem da delegação brasileira masculina de atletismo nos Jogos Olímpicos de Tóquio, que serão abertos oficialmente nesta sexta-feira (23/7) no Japão. Ele completou 21 anos no dia 3 de junho e já está no treinamento final em Saitama para a estreia nas eliminatórias dos 400 m com barreiras, às 22:55 do dia 29, no horário de Brasília, sendo apontado como um dos destaques da modalidade.



A responsabilidade é natural e causada pelos ótimos resultados que o atleta de São Joaquim da Barra alcançou na temporada. Ele quebrou quatro vezes o recorde sul-americano da prova e chega à Olimpíada com o terceiro melhor tempo de 2021 no Ranking da World Athletics: 47.34, obtido no dia 4 de julho, na etapa da Liga Diamante de Estocolmo, na Suécia.



À frente do brasileiro estão dois outros favoritos ao pódio: o norueguês Karsten Warholm, que bateu o recorde mundial em Oslo, no dia 1 de julho, com 46.70, e o norte-americano Rai Benjamin, que correu a prova em 46.83 na seletiva olímpica dos Estados Unidos no dia 26 de junho, em Eugene. Os 46.83 são a terceira melhor marca da história. Benjamin disse em entrevista no Japão que “Alison tem corrido muito rápido e teve uma ótima preparação para as Olimpíadas”, realçando a grande evolução do brasileiro.



Orientado pelo treinador Felipe de Siqueira, o atleta do Pinheiros, de 2,00 m e 76 quilos, está seguindo a risca a programação feita no início da temporada, depois de mais de um ano sem competir por causa da pandemia da COVID-19. Durante o Camping de Treinamentos e Competições, realizado a partir de março, em Chula Vista, nos Estados Unidos, ele participou de alguns meeting, com sucesso. Parou um mês para treinar no Camping de Rio Maior, em Portugal, e depois participou de três etapas da Liga Diamante em Oslo, Estocolmo e Mônaco. Voltou para Portugal e agora está no Japão.



“Após o primeiro período nos Estados Unidos resolvemos parar um mês para poder treinar. Aproveitamos as três provas da Liga Diamante, em 10 dias, para dar ritmo final de competição para ele. Fizemos ajustes em Portugal e agora, no Japão, é descansar, se adaptar bem ao fuso horário, chegar bem aos Jogos Olímpicos e fazer o melhor resultado dele”, comentou Felipe, que orienta Alison desde 2018.



De São Joaquim da Barra para o mundo - Descoberto num projeto social do Instituto Edson Luciano Ribeiro, em São Joaquim da Barra, orientado pela técnica Ana Fidelis, a evolução de Piu, como Alison é chamado no esporte, impressiona. Em 2016, com 16 anos, Alison corria os 400 m com barreiras em 55.32. Em 2019, aos 19, quebrou sete vezes o recorde sul-americano sub-20, tendo conquistado títulos importantes como dos Jogos Pan-Americanos de Lima, chegando até ao sétimo lugar no Mundial de Doha, com 48.28, recorde pessoal na época.



Em 2020, quando pensava em correr na casa de 47.00, ficou impedido de competir por causa da pandemia. Voltou com tudo em 2021, mantendo a fantástica evolução de 2019. Estreou na prova com 49.56, em Azusa, depois correu 48.15 em Des Moines e finalmente quebrou o recorde sul-americano em Walnut, com 47.68 – todas as provas nos Estados Unidos. O recorde brasileiro anterior era de Eronilde Araújo, com 48.04, desde 1995, e o sul-americano era do panamenho Bayano Ali Kamani, com 47.84, desde 2005.



Na sequência, Alison correu 47.51, em Doha, no dia 28 de maio, 47.38 em Oslo, em 1 de julho, 47.34 em Estocolmo no dia 4 de julho, terminando a preparação com 47.51, em 9 de julho, em Mônaco.



Ele correu ainda este ano uma prova de 400 m, em 45.78, em Chula Vista, garantindo qualificação para o revezamento 4x400 m misto no Mundial da Silésia, na Polônia, no início de maio. Lá, foi decisivo, pegando o bastão na quinta colocação e fechando a prova em segundo, assegurando a medalha de prata para o Brasil e registrando uma parcial de 44.62.



O brasileiro foi personagem do site da World Athletics, a Federação Internacional de Atletismo, ao ser apontado como integrante da nova geração de atletas como possível candidato à medalha olímpica. “Estou ansioso para disputar a Olimpíada. No início pensava apenas em participar da competição, mas agora acho que posso conseguir uma medalha. Acordo todo o dia pensando em ser campeão. Isso me move.”



Em Tóquio, Alison terá de dar três tiros, como são chamadas as etapas, para chegar até a final. A eliminatória na noite do dia 29, a semifinal às 9:05 do dia 1 de agosto e a final às 00:20 do dia 2 de agosto – todos em dias e horários de Brasília. “É uma pressão muito grande. Quero fazer a final, ser medalhista e obter meu recorde pessoal. Estou no caminho certo”, comentou o atleta, que tem mais competições previstas para depois da Olimpíada.



O atleta lembra que a atual geração dos 400 m com barreiras é muito forte. "Tem três atletas que correm em 46 segundos", lembrou, referindo-se a Warholm, Benjamin e ao catari Abderrahman Samba. "Será possivelmente uma das provas mais fortes do torneio de atletismo dos Jogos Olímpicos", acentuou. "Mas sou o primeiro a correr na casa dos 47 segundos e estou feliz por estar entre os melhores da história e saber que tenho nível técnico para competir com eles, que não é algo surreal", acrescentou.



Fora do 4x400 m misto - Por causa do programa horário do atletismo, Alison teve a difícil missão de abrir mão de integrar o revezamento 4x400 m misto nos Jogos. "Tive de pensar e resolvi concentrar minhas energias na prova individual. Ia ser muito difícil disputar também semifinal e final da prova por equipe durante a disputa dos 400 m com barreiras", justificou o campeão sul-americano, dos Jogos Pan-Americanos de Lima e da Universíade de Nápoles, além de finalista no Mundial de Doha-2019.



A sua maior preocupação, como disse na entrevista coletiva que concedeu nesta quinta-feira (22/7) ao Comitê Olímpico do Brasil (COB), é com completa adaptação ao fuso horário. Ele estava em Rio Maior e enfrenta uma mudança de 8 horas desde terça-feira (20/7), quando chegou ao Japão. Quanto ao calor, ela acha que vai se adaptar mais fácil. "Não estava tão quente em Portugal como aqui, mas acho que isso é mais fácil de se acostumar. É só tomar cuidados com a hidratação e utilizar toda a estrutura disponibilizada pelo COB em Saitama", lembrou o atleta, que diz sentir orgulho de fazer parte de uma geração vitoriosa no esporte brasileiro. "Estar ao lado do Darlan Romani, do Thiago Braz, dos integrantes do revezamento 4x100 m é motivo de muita alegria."



Alison desde pequeno aprendeu a superar barreiras. Com menos de um ano, sofreu um acidente em sua casa com uma panela de óleo quente, que deixou cicatrizes em sua cabeça, no braço e no peito. As marcas, com certeza, deixaram o iniciante no atletismo, mais tímido, mas foi apenas mais um obstáculo a ser superado, como será a disputa dos Jogos de Tóquio e os de Paris-2024, de Los Angeles-2028...



A Prevent Senior Sports é patrocinadora do atletismo brasileiro para a entidade gestora do esporte e os atletas brasileiros, visando a saúde integral dos indivíduos e apoio às competições.



As Loterias Caixa são a patrocinadora máster do atletismo brasileiro.