Alison Brendom Alves dos Santos
Atletismo
Treinador: Felipe de Siqueira da Silva
Alison Brendom Alves dos Santos
Data e local de nascimento: 3/6/2000 - São Joaquim da Barra (SP)
Provas: 400 m com barreiras e 400 m
Principais conquistas: Nos 400 m com barreiras - Ouro no Mundial do Oregon-2022, bronze nos Jogos Olímpicos de Paris-2024, bronze nos Jogos Olímpicos de Tóquio-2021, ouro nos Jogos Pan-Americanos de Lima-2019, bronze no Mundial Sub-20 de Tampere-2018, prata no Mundial de Revezamentos no 4x400 m misto na Silésia-2021, bicampeão da Liga Diamante, em 2022 e 2024.
Alison dos Santos, conhecido como Piu pela comunidade atlética, encerrou o seu segundo ciclo olímpico repetindo o primeiro: com um lugar no pódio. Aos 24 anos, o brasileiro conquistou o bronze nos 400 m com barreiras nos Jogos Olímpicos de Paris-2024, no dia 9 de agosto de 2024, com a marca de 47.26. Foi o 10º nome do atletismo brasileiro a ter duas medalhas olímpicas na história dos Jogos.
O pódio olímpico de Paris teve os mesmos nomes de três anos antes, na Olimpíada de Tóquio. A diferença estava no campeão: o norte-americano Rai Benjamin, prata no Japão, venceu no Stade de France, com o tempo de 46.46, igualando seu melhor resultado na temporada, que também foi o melhor do ano. Ouro em Tóquio, o recordista mundial Karsten Warholm, da Noruega, foi prata, com 47.06.
Os três atletas chegaram na Olimpíada como os mais rápidos da temporada e também os mais rápidos dos 400 metros com barreiras em todos os tempos. Foi uma das finais mais esperadas do atletismo em Paris.
Para coroar a temporada, Piu levou o troféu de diamante (em 14/9/2024), no Memorial Van Damme, em Bruxelas, Bélgica. Foi bicampeão da Liga Diamante (2022 e 2024) ao vencer os 400 m com barreiras (47.93) na final do circuito da World Athletics. Chegou a decisão liderando a disputa, com 46 pontos em seis eventos, e confirmou o favoritismo. É o segundo brasileiro a obter o feito, depois de Fabiana Murer, campeã no salto com vara em 2010 e 2014.
O bi na Diamond League fechou uma temporada de bons resultados para o brasileiro de São Joaquim da Barra (São Paulo), depois de um 2023 frustrante, em que sofreu com uma lesão no joelho direito e precisou passar por cirurgia. Em 2024, mudou para Clermont, Flórida, Estados Unidos, com o treinador Felipe de Siqueira, para se dedicar a temporada olímpica.
Venceu cinco das seis etapas da Diamond League que disputou. Abriu sua participação com vitória em Doha (QAT), com 46.86, no dia 10 de maio. Correu 46.63 na etapa de Oslo (NOR), a segunda melhor marca do mundo no ano, derrotando o recordista Karsten Warholm em casa. Ganhou as etapas de Estocolmo (47.01), Paris (47.78) e Londres (48.18) e foi o terceiro colocado na etapa de Mônaco, prova que também reuniu Warholm e Benjamin.
Alison foi o grande destaque do atletismo e do esporte olímpico brasileiro no ano de 2022, reconhecido e premiado como o Melhor Atleta do Ano pela Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) e com o Prêmio Brasil Olímpico - também levou o troféu de Melhor do Atletismo - pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB). Recebeu o troféu das mãos da ministra do Esporte Ana Moser e do presidente do Comitê Olímpico do Brasil (COB) Paulo Wanderley Teixeira, em cerimônia realizada no dia 2 de fevereiro de 2023, na Cidade das Artes, no Rio de Janeiro. Muito merecido, após excepcionais resultados.
Já tinha entrado para o hall dos ídolos ao conquistar a medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Tóquio, no dia 3 de agosto de 2021. Foi a primeira medalha do Brasil no atletismo nos Jogos do Japão e na história dos 400 m com barreiras e a 18ª da modalidade em todos os tempos. Garantiu o bronze ao completar a prova em 46.72 - era a sexta vez que quebrava o recorde sul-americano, aos 21 anos.
Escancarou a sua incrível evolução no esporte em 2022, ano perfeito em que foi campeão mundial com recorde sul-americano (46.29), campeão invicto da Diamond League, correu três vezes os 400 m com barreiras abaixo dos 47 segundos e liderou o Ranking Mundial.
Conquistou o ouro nos 400 m com barreiras no Campeonato Mundial do Oregon, nos Estados Unidos, em dia 19 de julho de 2022, obtendo a marca de 46.29 no Estádio Hayward Field, em Eugene, novo recorde sul-americano e a melhor marca do mundo no ano no Ranking da World Athletics (WA). Quando acabou a prova olhou para o telão, viu que tinha ficado em terceiro, mas conferiu também o tempo. Comentou que pensou estar na "prova errada", com o seu característico bom-humor. "Não é 400 m com barreiras isso aqui não." A prova foi surreal, na definição do treinador Felipe de Siqueira, muito forte e com recorde mundial do norueguês Karsten Warholm, com o tempo de 45.94, e a prata do norte-americano Rai Benjamin, com 46.17.
No Mundial do Oregon, o brasileiro fez uma campanha perfeita na eliminatória, semifinal e final. O tempo de 46.29, na final, é o terceiro melhor da história da prova. Ele só fica atrás dos 45.94 do norueguês Karsten Warholm, recordista mundial, e do norte-americano Rai Benjamin, que tem 47.17, justamente os tempos alcançados na fantástica final da Olimpíada de Tóquio.
A comemoração pela medalha de ouro em Eugene, ainda no dia 19 de julho, ocorreu na Track Town Pizza, uma pizzaria icônica da cidade, onde Steve Prefontaine, um dos melhores atletas local, comia depois de suas competições. Piu e o campeão olímpico Joaquim Cruz (nos 800 m, em Los Angeles-1984), chefe da delegação brasileira, brindaram a conquista com água e suco de laranja.
De volta ao estádio Hayward Field no dia 20 de julho para buscar a sua medalha de ouro na cerimônia oficial do Mundial do Oregon ouviu o Hino Nacional do Brasil e depois puxou uma foto em pose de bad boys com os norte-americanos Rai Benjamim, medalha de prata (46.89), e Trevor Bassitt, de bronze (47.39). Dias depois, ainda dançou no centro do estádio com o mascote Big Foot para o público, fotos e vídeos.
Na carreira, Alison veio crescendo ano a ano desde muito jovem e deixou de ser uma promessa ainda em 2019, quando Sub-20 conquistou o ouro nos Jogos Pan-Americanos de Lima, no Peru, e foi finalista (7º lugar) no Campeonato Mundial de Doha, no Catar. No Mundial, obteve a marca de 48.28, que é recorde sul-americano até 19 anos.
Em 2022, na plenitude de sua forma, além de ser campeão mundial, conquistou o título invicto da Liga Diamante, o mais importante circuito de competições da WA. Garantiu o terceiro troféu na história para o Brasil, depois dos dois conquistados por Fabiana Murer, no salto com vara, em 2010 e em 2014.
O início - Bem-humorado e muito brincalhão, o atleta se destaca também nas redes sociais, sempre com posts alto astral e criativos. Com 2,00 m e 79 kg, paulista de São Joaquim da Barra e atleta do Pinheiros-SP começou a treinar no Instituto Edson Luciano Ribeiro, em sua cidade. Ele fazia judô e natação, mas precisou ser convencido a praticar atletismo.
A treinadora Ana Fidélis o convenceu a fazer os 400 m com barreiras, após analisar seu biótipo e o desempenho nos treinos, com pernas longas e agilidade. Idealizado pelo vice-presidente da CBAt, Edson Luciano Ribeiro, dono de duas medalhas olímpicas (bronze em Atlanta-1996 e prata em Sidney-2020 - ambas no revezamento 4x100 m). Alison começou treinando salto em altura, mas logo mudou para a sua especialidade.
O jeito descontraído e brincalhão nas pistas representa a superação de um grande drama pessoal. Quando tinha 10 meses e já andava se escorando pelos móveis da casa, ele sofreu um grave acidente doméstico. Bateu no cabo da frigideira que estava no fogão e virou sobre si o óleo quente no qual a avó fritava peixe. O líquido fervente caiu em sua cabeça, ombro e braços. Foram cinco meses de internação no Hospital do Câncer em Barretos (SP).
Ele se recuperou. Mas, durante muito tempo, usou boné para esconder as cicatrizes. O corredor contou que nas suas primeiras competições, em 2014, chegou a correr de touca para se esconder dos olhares. A partir das provas seguintes, começou a não se preocupar mais. Piu conta que o atletismo ajudou a se aceitar. O boné se tornou cada vez mais raro. Um campeão mundial não tem razão nenhuma para se esconder.
Integra a Assembleia Geral do CBAt e o Programa Ídolos Loterias Caixa do Atletismo.
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