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Perfil - Caio Bonfim abraçou a herança familiar da marcha atlética e levou o Brasil ao topo do mundo

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Marchador assumiu a prova aos 16 anos, decidido a enfrentar preconceitos e hostilidades; agora, campeão mundial e vice-campeão olímpico, terá a chance de ouvir aplausos - e não xingamentos - ao marchar no Eixo Monumental durante o Mundial por Equipes, domingo, 12 de abril, em Brasília.

POSTADO EM: 10/04/2026
Imagem de capa da notícia: Perfil - Caio Bonfim abraçou a herança familiar da marcha atlética e levou o Brasil ao topo do mundo

Caio Bonfim no pódio do Mundial de Tóquio-2025: ouro inédito e história

(foto: Fernanda Paradizo/CBAt)

Em 2026, é impossível falar do atletismo brasileiro sem citar o nome de Caio Bonfim (CASO-DF). O atleta de 35 anos é um dos grandes responsáveis por fazer a marcha atlética se tornar conhecida no país, graças às suas relevantes conquistas. Reconhecido internacionalmente, é um dos grandes nomes do Mundial de Marcha Atlética Caixa por Equipes 26, que será disputado neste domingo, 12 de abril, em Brasília.

Campeão dos 20 km e vice-campeão dos 35 km no Mundial de Tóquio, em 2025, tornou-se o atleta brasileiro mais laureado na competição. No ano anterior, Caio já havia colocado a marcha definitivamente em lugar de destaque, com a medalha de prata nos 20 km dos Jogos Olímpicos de Paris-2024. Agora, experimenta a popularidade em casa, marchando diante dos torcedores brasilienses e brasileiros.

Tal status é um feito e tanto para o atleta, que assim como outros marchadores, precisou enfrentar o preconceito com uma prova cuja técnica demanda o movimento ritmado dos quadris. A diferença, no caso de Caio, é que a marcha atlética foi mais do que uma escolha: foi praticamente uma herança de família. Afinal, ele é filho de Gianetti Oliveira de Sena Bonfim, ex-marchadora octampeã nacional, medalhista sul-americana e ibero-americana, e de João Evangelista de Sena Bonfim, que foi técnico da esposa nessa trajetória vencedora.

Todos estão envolvidos na disciplina, dentro e fora das pistas, já que a família também é condutora do Centro de Atletismo de Sobradinho (CASO-DF), que trabalha com crianças e jovens como projeto social, e como clube de alto rendimento. Além de Caio, outros sete atletas do CASO estão na seleção brasileira que disputa o Mundial de Equipes, incluindo os olímpicos Gabriela Muniz, Max Batista e Lucas Mazzo.

Apesar de a marcha ser assunto doméstico, a opção do atleta pela prova foi tardia. Caio, que foi um menino muito ativo, sempre havia sido incentivado à prática esportiva pelos pais, nas mais diversas modalidades. Sua primeira opção foi o futebol, como a de tantos pequenos brasileiros. Ele chegou a atuar nas categorias de base do Brasiliense mas, aos 13 anos, fez testes no atletismo a pedido do pai.

Em 2007, com 16 anos, decidiu virar atleta da marcha atlética. E essa decisão veio da certeza de que, além dos desafios do esporte, teria também que superar o preconceito. Caio optou pela marcha sabendo que teria de enfrentar aqueles que ridicularizavam a prova e seus atletas. 

Após a conquista da medalha de prata olímpica, em 2024, Caio deu seu recado aos preconceituosos. Afinal, ele inaugurava uma nova era para a marcha atlética brasileira. "Não estamos brincando de rebolar, somos potência, somos medalhistas olímpicos. Eu fui muito xingado no primeiro dia que marchei com meu pai. Eu só comecei aos 16 anos porque era muito difícil ser marchador. Mas eu decidi ser xingado e não ter problema com isso."

Caio, de fato, nasceu para marchar. Apenas cinco anos depois de sua estreia na prova, já disputava sua primeira Olimpíada. Em Londres-2012, aos 21 anos, realizou um sonho que não era só seu, mas também de Gianetti, que não pôde ter uma experiência olímpica como atleta. Mas, ao lado do filho, já esteve em quatro edições.

A segunda Olimpíada foi em 2016, no Rio. Caio lembra do privilégio de disputar os Jogos em casa, e do "quase" na classificação final. O brasileiro foi quarto colocado, a apenas 5 segundos da medalha de bronze. Naquele momento, o marchador começou a ver uma mudança de mentalidade. Depois de uma Olimpíada em casa, mais pessoas conheceram a marcha atlética. As palavras ofensivas que ouvia ao treinar na rua diminuíram, e os incentivos aumentaram.

O primeiro grande resultado da carreira de Caio veio após os Jogos do Rio. No Mundial de Londres, em 2017, ele subiu ao pódio de uma grande competição internacional pela primeira vez: conquistou a medalha de bronze nos 20 km, estabelecendo o recorde brasileiro.

Na Olimpíada de Tóquio, disputada em 2021 por causa da pandemia da covid-19, Caio foi o 13º colocado. Mas, após o difícil período de crise sanitária, o brasileiro estabeleceu-se de vez entre os melhores do mundo na prova. Em 2023, Caio conquistou novamente uma medalha de bronze, desta vez no Mundial de Budapeste. No ano seguinte, a consagração: o vice olímpico em Paris-2024.

Mas 2025 seria ainda mais especial. Na principal competição do ano, em setembro passado, o brasileiro alcançou o feito de subir ao pódio nas duas provas que disputou, enfrentando o calor e a umidade de um dos verões mais quentes de Tóquio. Com resiliência e experiência, Caio largou primeiro para os 35 km e garantiu a inédita prata, sua terceira medalha em Mundiais. 

Uma semana depois, após um exemplar trabalho de recuperação junto à equipe multidisciplinar, Caio disputou os 20 km. Mais uma vez, mostrou novamente ser um estrategista, evoluindo na prova com calma e consistência até chegar à liderança. Campeão pela primeira vez, somou sua quarta medalhas em Mundiais, e tornou-se o brasileiro com o maior número de conquistas na competição. A performance do brasileiro valeu a indicação ao World Athletics Awards, em que Caio foi elencado como um dos melhores do atletismo mundial em provas de rua no ano.

Depois da brilhante campanha em Tóquio, Caio Bonfim só voltou a competir em 2026. A atual temporada inaugura uma mudança nas distâncias da marcha atlética, que deixaram de ser 20 km e 35 km e passaram para meia maratona (21,097 km) e maratona (42,195 km). Caio optou por se dedicar à distância mais curta, que estará no programa dos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 2028.

Sua primeira competição no ano foi a Copa Brasil Loterias Caixa, disputada em 25 de janeiro no mesmo circuito do Mundial por Equipes. Ele conquistou seu 15º título da competição nacional, estreando na meia maratona com o tempo de 1:28:00.

Na sequência, Caio viajou para a Ásia. Em 15 de fevereiro, disputou o Campeonato Japonês de Meia Maratona em Kobe, no Japão, estabelecendo o recorde brasileiro e sul-americano da prova com a marca de 1:21:44 – a marca é a 5ª melhor do ano, e Caio é o único não japonês entre os dez melhores do mundo em 2026. Na mesma disputa, o japonês Toshikazu Yamanishi se tornou o recordista mundial (1:20:34) e lidera o toplist da temporada.

Antes de disputar o Grand Prix da China, em Taicang, no dia 28 de fevereiro, Caio passou por um período de treinos com Yamanishi no Japão – os dois voltam a se encontrar em Brasília, no Mundial. Na segunda competição asiática, Caio fez o tempo de 1:23:00. Desde que retornou ao Brasil, no início de março, o marchador tem se dedicado exclusivamente aos treinos para o Mundial por Equipes. 

Ficha técnica
Caio Sena Bonfim
Data e local de nascimento: 19/3/1991, em Sobradinho (DF)
Treinadora: Gianetti Sena Bonfim
Clube: Centro de Atletismo de Sobradinho (CASO-DF)

Recordes pessoais
meia maratona - 1:21:44 - 15/2/2026 - Kobe (JAP), recorde brasileiro e sul-americano
20 km - 1:17:37 - 16/2/2025 - Kobe (JAP), recorde brasileiro
20.000 metros - 1:18:37.9 - 31/7/2025 - São Paulo (SP), recorde sul-americano e brasileiro
35 km - 2:25:14 - 24/7/2022 - Eugene (EUA), recorde brasileiro
50 km - 3:47:02 - 19/8/2016 - Rio de Janeiro (BRA), recorde brasileiro

Principais títulos
1º lugar - marcha atlética 20 km - Mundial de Tóquio-2025 (1:18:35, 20/9/2025)
2º lugar - marcha atlética 35 km - Mundial de Tóquio-2025 (2:28:55, 13/9/2025)
2º lugar - marcha atlética 20 km - Olimpíada de Paris-2024 (1:19:09, 1/8/2024)
2º lugar - marcha atlética 20 km - Jogos Pan-Americanos de Santiago-2023 (1:19:24, 29/10/2023)
2º lugar - marcha atlética 20 km - Jogos Pan-Americanos de Lima-2019 (1:21:57, 4/8/2019)

3º lugar - marcha atlética 20 km - Mundial de Budapeste-2023 (1:17:47, 19/8/2023)
3º lugar - maratona em revezamento misto - Jogos Pan-Americanos de Santiago-2023 (3:02:14, 4/11/2023)
3º lugar - marcha atlética 20 km - Mundial de Londres-2017 (1:19:04, 13/8/2017)
3º lugar - marcha atlética 20 km - Jogos Pan-Americanos de Toronto-2015 (1:24:43, 19/7/2015)

As Loterias Caixa e a Caixa são patrocinadoras máster do Atletismo Brasil.

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Publicado pela Plataforma SGE da Bigmidia - Gestão Esportiva com Tecnologia

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