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Ibero-Americano
Barreirista de 28 anos ainda está sob o impacto da quebra do recorde que foi de Maurren Maggi por 25 anos; com o resultado, Vitória chega à competição do Peru, seu terceiro Ibero da carreira, com a 10ª melhor marca do mundo em 2026

Vitória Sena disputa seu terceiro Ibero-Americano
(foto: Gustavo Alves/CBAt)
Depois de bater o recorde brasileiro dos 100 metros com barreiras, uma marca que já durava 25 anos, Vitória Sena Batista Alves (Praia Clube-CEMIG-Exército-Futel-MG) dará prosseguimento à temporada no Campeonato Ibero-Americano de Lima, no Peru, que será disputado entre 29 e 31 de maio.
A expectativa da barreirista de 28 anos é de manter a boa sequência de resultados que vem marcando sua temporada. Vitória, que é treinada por Katsuhico Nakaya, fez a marca de 12.69 (2.0) no dia 25 de abril, durante o Troféu Adhemar Ferreira da Silva, realizado em Bragança Paulista. O resultado superou o antigo recorde nacional, 12.71 (0.1), que havia sido estabelecido pela campeã olímpica Maurren Maggi em 2001.
Esse será o terceiro Ibero-Americano da carreira de Vitória, que disputou a edição de La Nucia (Espanha), em 2022, e de Cuiabá (Brasil), em 2024 – foi 7ª e 5ª colocada nos 100 metros com barreiras, respectivamente.
"Eu estou treinando bem, com uma preparação muito boa, para que eu sempre possa competir no meu melhor. Claro que a gente sempre quer chegar em uma competição e estar em primeiro lugar, mas o meu pensamento é sempre melhorar tecnicamente, ajustar os pequenos detalhes. O pódio é consequência disso", disse Vitória, sobre as suas expectativas na competição no Peru.
Vitória bateu seu então recorde pessoal nos 100 metros com barreiras já na sua primeira competição do ano – ela tinha 12.95 (0.9), de junho de 2021, como melhor marca. Em 19 de abril, no Challenger Hugo M. La Nasa, realizado em Buenos Aires (Argentina), fez 12.85 (1.0). Na semifinal do Troféu Adhemar, melhorou novamente o resultado – 12.84 (1.7) –, até alcançar o recorde brasileiro na final. Com o resultado de 12.69, ela ocupa a 10ª posição no ranking mundial, liderado pela norte-americana Masai Russell, que tem 12.25 (0.4).
Vitória ainda está impactada pela quebra do recorde brasileiro, uma marca que desejava alcançar desde as categorias de base. "Quebrar o recorde era algo que eu almejava, 12.71 é uma marca muito forte até hoje, tanto que durou 25 anos. E ainda por cima era da Maurren Maggi! Até hoje eu tenho memórias da cena da TV, depois dela ter ganhado o ouro em Pequim-2008, falando com a filhinha que queria a prata. Eu ainda não consigo descrever como foi a quebra do recorde para mim."
Início no Ibirapuera, passagem pelo basquete e universidade dos EUA
Vitória teve o primeiro contato com uma pista de atletismo no Estádio Ícaro de Castro Mello, o Ibirapuera, com 7 anos. "Minha mãe, Celina, me levou, junto com a minha irmã, Bárbara. Eu tinha 7 anos e ela, 9. Íamos para brincar em um projeto para crianças que funcionava na pista". Com o fechamento do Ibirapuera para uma reforma, Vitória acabou indo para o Centro Olímpico de Treinamento e Pesquisa. Na instalação da Prefeitura de São Paulo, foi treinar basquete.
"Fiquei no basquete por uns três anos. Joguei no sub-11, no sub-13 e, com 13 anos, eu estava no sub-15. Mas aí tive dificuldade com as meninas mais velhas, mais fortes. Não pegava nem o banco, e comecei a ficar desanimada. Nesse período, o Ibirapuera reabriu."
Mais uma vez, foi a mãe, Celina, quem encaminhou Vitória para o atletismo. Ela começou a fazer atividades físicas para adultos na pista, em um trabalho para o público em geral no qual trabalhava o técnico Neilton Moura. Foi por incentivo da mãe e de Neilton que Vitória voltou ao Ibirapuera. "O Nei falou para a minha mãe: 'traz ela de novo para brincar e deixa ela decidir'." Aos 14 anos, Vitória decidiu pelo atletismo.
"Comecei a ir de novo para a pista em 2012, antes do meio do ano, duas vezes na semana, terça e quinta-feira à noite. Conheci os atletas, como a Keila Costa, que foi para a Olimpíada de Londres, e vimos ela competir pela TV", lembra.
No fim daquele ano, Vitória desistiu do basquete e disputou sua primeira competição oficial no atletismo. "Teve o Brasileiro Mirim, em Porto Alegre. Foi a minha primeira viagem de avião e, lá no Brasileiro, vi o que era o atletismo de verdade. A experiência foi muito legal, mas eu fiquei muito nervosa e fui muito mal nas provas". Na época, Vitória fazia saltos – distância e triplo.
Durante as férias escolares, uma nova proposta do professor Nei: treinar com seu grupo de atletas, todos os dias. "Aí passei a ir também para a pista em Guarulhos", relembra a atleta. "Hoje, olho para trás e vejo que fui muito privilegiada no meu crescimento no atletismo. Tive colegas de treino que já eram grandes: Keila, Tânia (Ferreira). Foram mentoras para mim. Só de ver a ética de trabalho delas... só queria fazer igual."
No ano seguinte, 2013, Vitória já foi campeã brasileira mirim do salto em distância. Também medalhou no triplo e correu o revezamento 4x75 metros pela equipe de Guarulhos. Em 2014, o salto triplo deu lugar aos 100 metros com barreiras. No salto em distância, continuou até 2021.
Em 2014, Vitória recebeu sua primeira convocação para defender o Brasil, no Campeonato Sul-Americano sub-18. Em 2017, após a disputa do Pan-Americano sub-20, a brasileira recebeu uma mensagem animadora: o contato de um recrutador de uma universidade norte-americana.
No período em que treinava basquete, Vitória via colegas indo para os EUA por causa do esporte – algumas eram recrutadas para o high school, outras, mais velhas, para a universidade. "Estudar nos EUA virou um sonho pra mim. E aí, depois desse Pan, que foi no Peru, recebi um e-mail para recrutamento. Com a ajuda do Nei, comecei a pesquisar outras universidades", lembra Vitória. Em janeiro de 2019, ela desembarcou nos EUA, para estudar e competir pela Universidade Estadual do Kansas.
Em 2023, ela se graduou em Ciências da Psicologia. Desde novembro de 2024, passou a treinar com Katsuhico Nakaya. "Na temporada de 2025, minha primeira com o Nakaya, evoluí bastante. Na base para esse ano, ele conversou comigo, disse o que tinha em mente. Uma das coisas foi deixar não só a mim, mas todo o grupo, mais forte. Também mudei meu plano alimentar, e isso deu um match para eu estar forte como nunca estive, em grande forma já em janeiro e fevereiro."
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