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Atletismo Brasil
O Ibirapuera agora tem a única pista de 9 raias com certificação Classe 1 da World Athletics na América Latina; estádio, que não recebe competições de atletismo desde 2015, será sede do XLV Troféu Brasil Interclubes Loterias Caixa, de 23 a 26 de julho.

Estádio Ícaro de Castro Mello receberá o Troféu Brasil, de 23 a 26 de julho
(foto: Matias Santana/CBAt)
Após uma década, o atletismo brasileiro voltou para casa. Nesta sexta-feira (3/7), o Estádio Ícaro de Castro Mello, no Conjunto Deportivo Constâncio Vaz Guimarães, em São Paulo, foi entregue após uma revitalização inédita. Templo da modalidade no país, o estádio – também conhecido pela sua localização, o Ibirapuera – agora tem a única pista de 9 raias com certificação Classe 1 (a mais alta) da World Athletics na América Latina.
Além da pista de alta performance que ganhou uma raia extra, o estádio também recebeu uma área de aquecimento. A revitalização inédita, que manteve os elementos da arquitetura modernista, passou pelas arquibancadas, com a instalação de 11 mil assentos e novos guarda-corpos de vidro. Foram instalados dois novos telões e uma nova iluminação. Espaços como vestiários, banheiros, áreas para academia, fisioterapia e imprensa também foram requalificados. O estádio não recebe uma competição oficial de atletismo desde 2015.
A modernização do Ícaro de Castro Mello foi realizada pelo Governo do Estado de São Paulo, em uma parceria entre a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) e a Secretaria de Esportes. A PlayPiso participou da revitalização como fornecedora e executora da instalação da pista da marca italiana Mondo, utilizada nos estádios de atletismo dos últimos 14 Jogos Olímpicos, e de todos os equipamentos – gaiola de lançamentos, fosso, caixas de saltos e guias internas.
"A pista do Ícaro de Castro Mello é icônica, emblemática. É um templo do atletismo brasileiro. Além da pista Mondo, de excelência, toda a infraestrutura do estádio foi modernizada, de maneira muito bem pensada", comemora Wlamir Motta Campos, presidente do Conselho de Administração da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt). "No Ibirapuera temos algumas das melhores memórias da história do nosso esporte. Agora esperamos que ele volte a ser o principal palco do atletismo brasileiro. Tenho certeza de que realizaremos grandes eventos nacionais e internacionais".
Consolidado como um dos principais palcos do atletismo brasileiro, o espaço nasceu com outra destinação: receber competições de ciclismo. O equipamento foi projetado como parte do Conjunto Desportivo do Ibirapuera, um dos presentes para a cidade de São Paulo nas comemorações do IV Centenário, em 1954. O Velódromo do Ibirapuera foi, então, inaugurado em 6 de novembro de 1954, enquanto o Ginásio do Ibirapuera, que fica ao lado, só teve suas obras concluídas e entregues em 1957.
Em 1963, o Velódromo do Ibirapuera recebeu as competições de ciclismo dos Jogos Pan-Americanos de São Paulo, enquanto as provas do atletismo foram realizadas na pista do Estádio do Pacaembu. Apenas em 1968 é que o velódromo passou a ser, também, casa do atletismo. Três anos antes, em 1965, coube ao engenheiro-arquiteto Ícaro de Castro Mello projetar uma reformulação do espaço, com a construção da pista de atletismo e a ampliação das arquibancadas.
Não é à toa que Ícaro de Castro Mello (1913-1986) batiza o estádio do Ibirapuera. Engenheiro-arquiteto formado pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) em 1935, Ícaro foi atleta olímpico. Disputou os Jogos de Berlim-1936 no salto em altura e foi recordista brasileiro e sul-americano do salto em altura e do salto com vara. Após a Olimpíada na Alemanha, abriu seu escritório de arquitetura especializado em instalações esportivas – que existe ainda hoje, liderado por seu filho Eduardo e por seu neto, Vicente. Também foi arquiteto-chefe do Departamento de Esportes do Estado de São Paulo (DEESP), onde capitaneou a construção do Conjunto Desportivo do Ibirapuera, posteriormente nomeado Constâncio Vaz Guimarães.
Já em fins da década de 1960, o estádio de atletismo do Ibirapuera começou a receber competições. Mas foi em meados dos anos 1980 que se tornou palco de competições de alto nível do atletismo internacional. Em 12 de maio de 1985, o estádio recebeu o primeiro Meeting Internacional de São Paulo, com a participação de estrelas nacionais como Joaquim Cruz, recém-campeão olímpico dos 800 metros, e internacionais, como os norte-americanos Al Joyner (campeão olímpico do salto triplo) e Calvin Smith, recordista mundial dos 100 metros.
Foram 11 edições consecutivas do Meeting Internacional de São Paulo. Em 1990, a competição passou a fazer parte do circuito de provas da Federação Internacional de Atletismo – status que o Brasil mantém até os dias atuais. Entre 1985 e 1995, passaram pelo Ibirapuera nomes como Carl Lewis, Steve Ovett, Michael Johnson, Kevin Young, Javier Sotomayor, Sergey Bubka, Jan Zelezny, Iván Pedroso, Stefka Kostadinova, Evelyn Ashford e Maria Mutola, entre outros grandes homens e mulheres do atletismo mundial.
Mas o Estádio Ícaro de Castro Mello não foi apenas lugar de estrelas. Também foi celeiro para jovens talentos que ali desenvolveram seu potencial para, aí sim, chegarem ao ponto mais alto do atletismo mundial. Esse foi o caso da campeã olímpica Maurren Maggi.
Integrante do antigo Projeto Futuro (atualmente, Centro de Excelência), iniciativa do governo estadual voltada para a formação de atletas, Maurren teve o Ibirapuera como o quintal de sua casa – literalmente. A saltadora deixou sua cidade natal, São Carlos (SP), para morar nos alojamentos do Ibirapuera em 1994 e treinar no Estádio Ícaro de Castro Mello até sua despedida do esporte, em 2016.
"Falar dessa pista é sempre muito bom porque eu praticamente nasci lá para o esporte. Fiz parte do Projeto Futuro de 1994 a 2000, e treinei na pista até 2016, quando me aposentei. Espero que, com essa revitalização, o Ibirapuera seja para as outras pessoas o que foi para mim. É o maior celeiro esportivo que tivemos no Brasil e espero que volte a ser", disse a campeã olímpica do salto em distância em Pequim-2008. "Todas as vezes que eu pisei no Ibirapuera para competir foram especiais para mim. Era uma obrigação saltar longe na minha casa".
Bicampeã mundial do salto com vara, Fabiana Murer também se desenvolveu no Ícaro de Castro Mello. "Foi muito emocionante voltar para a pista, relembrar que eu praticamente comecei lá. Saí de Campinas, mudei para São Paulo e comecei a treinar no Ibirapuera. Foi onde eu me desenvolvi, onde eu treinei para ser campeã dos Jogos Pan-Americanos em 2007 e onde entrei para a elite do salto com vara, quando saltei 4,80 m, recorde sul-americano, no Troféu Brasil de 2008".
Fabiana destacou a qualidade da nova pista – "é Mondo, a melhor do mundo, feita para durar, uma pista macia em que vão sair bons resultados" – e os detalhes da revitalização da estrutura do estádio. "A pista está mais alta, então ficou mais próxima da arquibancada. O público vai sentir os atletas mais de perto, e isso ficou muito legal."
A ex-atleta também comemorou a confirmação do XLV Troféu Brasil Interclubes Loterias Caixa de Atletismo, de 23 a 26 de julho, no Estádio Ícaro de Castro Mello. "Estou muito contente que a primeira competição vai ser o Troféu Brasil. Vai ser super importante. Vários atletas mais novos nunca competiram no Ibirapuera, e eles vão ver que é uma pista muito boa para competição".
As Loterias Caixa são a patrocinadora máster do atletismo brasileiro.
Publicado pela Plataforma SGE da Bigmidia - Gestão Esportiva com Tecnologia
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