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Paulista de São Joaquim da Barra, Alison adotou o atletismo como profissão há uma década, com apenas 16 anos. Em 2021, conquistou sua primeira medalha olímpica e, no ano seguinte, foi campeão mundial. Nesta temporada, brilhou com a melhor marca de todos os tempos nos 400 m com barreiras e levou o título da edição inaugural do Ultimate

Alison dos Santos comemora vitória na edição inaugural do Ultimate com 3º tempo da história
(foto: Ultimate Championship/Divulgação)
O brasileiro Alison dos Santos é o campeão dos 400 m com barreiras da edição inaugural do Ultimate Championship Budapeste 26. O recordista mundial Piu, como é conhecido pela comunidade atlética, venceu neste domingo (13/9) na pista do Centro Nacional de Atletismo Gyula Zsivotzky, na capital húngara, com 45.98, o terceiro melhor tempo da história da prova. E ainda derrotou os adversários numa corrida entre os três melhores de todos os tempos nos 400 m com barreiras. O norte-americano Rai Benjamim ficou em segundo lugar (46.40) e o norueguês Karsten Warholm em terceiro (46.78).
Alison Brendom Alves dos Santos (Pinheiros-SP) assumiu o atletismo como profissão em 2016, quando tinha 16 anos. Seu sonho, naquele momento, era ver seu nome marcado para a posteridade: queria se tornar recordista brasileiro sub-20. Naquela época, o adolescente de São Joaquim da Barra (SP), que nas pistas passou a ser conhecido como Piu, sonhava em ser o melhor do Brasil. Uma década depois, virou o mais rápido do mundo.
Se o recorde brasileiro sub-20 veio em 19 de abril de 2019, quando correu os 400 metros com barreiras em 49.48, o recorde mundial chegou em 27 de agosto de 2026, quando Alison, o Piu, fez o tempo de 45.80, na etapa de Zurique (Suíça) da Diamond League. Tornou-se apenas o segundo homem na história a fazer a prova abaixo dos 46 segundos – o primeiro foi o norueguês Karsten Warholm, que ganhou ouro olímpico de Tóquio-2020 com a marca de 45.94. Com o resultado do Ultimate, é o único atleta do mundo a correr a prova duas vezes na casa dos 45 segundos.
Aquela final dos Jogos Olímpicos, que foram realizados em 2021 por causa da pandemia da covid-19, foi o grande cartão de visitas do brasileiro Alison para o mundo do atletismo. Aos 21 anos, conquistou a medalha de bronze olímpica com o tempo de 46.72, quando correu pela primeira vez abaixo dos 47 segundos.
No ano seguinte, 2022, Piu conquistaria o título mundial em Eugene (EUA), com a marca de 46.29, que foi recorde brasileiro e sul-americano, além de seu melhor resultado pessoal, até correr a última etapa da Diamond League de 2026, na Suíça, e bater o recorde mundial.
Do judô ao atletismo, de São Joaquim da Barra para o mundo
O primeiro esporte de Alison foi o judô. Mas foi descoberto para o atletismo quando tinha 14 anos e media 1,85 m – adulto, chegou a 2,00 metros, com 1,17 metros só de pernas! Professores do projeto social do Instituto Edson Luciano Ribeiro faziam visitas a escolas da cidade e, ao encontrarem o garoto, ficaram impressionados com seu porte físico. Mas Alison demorou meses até aparecer na pista de atletismo da cidade.
Aos 10 meses de idade, o menino passou por um acidente doméstico. Alison, que vivia com os avós e deles ganhou o apelido de Teco, engatinhou até o fogão, onde estava uma panela de óleo quente que caiu sobre ele. O acidente causou queimaduras de terceiro grau, que deixaram cicatrizes na cabeça e no corpo. Quem hoje vê o brasileiro desinibido nas pistas de atletismo do mundo, alternando diversos penteados, nem sequer imagina que as queimaduras fizeram com que ele fosse um menino tímido, que só usava boné.
Incentivado por um amigo que já estava treinando atletismo, Alison superou a timidez e foi à pista, onde conheceu sua primeira treinadora, Ana Fidélis. No atletismo, virou Piu: um apelido que não gostava e, por isso mesmo, pegou. Sua primeira competição foi o Brasileiro Sub-16 de 2014, no Estádio Ícaro de Castro Mello, o Ibirapuera. Correu com uma touca amarela, emprestada por um colega, e conquistou a medalha de bronze nos 300 metros com barreiras. A partir de então, o esporte passou a ser visto como profissão.
Piu passou a frequentar o pódio em competições estaduais e nacionais. Em 2017, integrou a seleção brasileira em sua primeira grande competição, o Mundial Sub-18 de Nairóbi, no Quênia, e foi campeão do revezamento 4x400 metros misto. No fim daquela temporada, deixou São Joaquim da Barra para morar em São Paulo e treinar com Felipe de Siqueira no Esporte Clube Pinheiros.
Em 2018, Alison correu os 400 metros com barreiras pela primeira vez abaixo dos 50 segundos (49.78), quando foi bronze no Mundial Sub-20 de Tampere, na Finlândia. Mas foi em 2019 que, além de dominar a categoria sub-20, o brasileiro começou a mostrar seu talento também nas competições internacionais adultas: foi 7º colocado no Mundial de Doha (48.28, índice para a Olimpíada de Tóquio) e campeão dos Jogos Pan-Americanos de Lima.
A pandemia de covid-19 deixou Alison sem competir em 2020. Em 2021, na sua primeira temporada como adulto, conquistou uma sequência impressionante de resultados: quebrou seis vezes o recorde sul-americano e correu oito vezes abaixo dos 48 segundos. E, claro, tornou-se medalhista olímpico, pavimentando o caminho para a temporada de 2022, na qual se sagrou campeão mundial e campeão da Diamond League pela primeira vez.
A temporada de 2023 foi prejudicada por uma lesão no joelho direito, sofrida em fevereiro, que levou a uma artroscopia. Voltou a competir em julho, mas chegou ao Mundial de Budapeste sem ritmo de competição. Ainda assim, foi 5º colocado, com a marca de 48.10.
Qualificado para a Olimpíada de Paris-2024, Piu se mudou para os Estados Unidos junto com seu treinador. A dupla passou a trabalhar no National Training Center em Clermont, na Flórida. De volta à boa forma, conquistou sua segunda medalha olímpica, novamente o bronze, e foi bicampeão da Diamond League.
Em 2025, Alison chegou ao Mundial de Tóquio como terceiro melhor do ranking mundial. O retorno ao Japão era especial: pela primeira vez, sentiria o apoio da torcida no estádio em que fora medalhista olímpico quatro anos antes. Em uma final muito disputada com o norte-americano Rai Benjamin, ouro olímpico na temporada anterior, Piu conquistou a prata, com 46.84, enquanto Benjamin foi o campeão com 46.52.
Para 2026, Alison dos Santos disse que esperava de correr rápido. O brasileiro alcançou o objetivo, e não só com o recorde mundial dos 400 metros com barreiras. Abriu a temporada, em abril, nos EUA, batendo seus recordes pessoais nos 200 metros (20.39) e 400 metros rasos (44.38). Em maio, alcançou a melhor performance brasileira e sul-americana dos 300 metros com barreiras (33.01), na China – como a prova não é olímpica, a World Athletics não considera as marcas como recordes.
Em julho, Alison preencheu uma importante lacuna no seu currículo: ser campeão brasileiro em provas individuais. Piu não disputava o Troféu Brasil desde 2019, e voltou a competir no Brasil. Foi um momento especial: entre os amigos do atletismo e com a família pela primeira vez em um estádio, Piu brilhou no renovado Estádio Ícaro de Castro Mello. Venceu os 400 metros (44.60) e os 400 metros com barreiras (46.48), com a melhor marca do mundo até aquele momento.
Antes de competir no Brasil, Piu já havia vencido todas as etapas da Diamond League que havia disputado – Shaoxing, China; Xiamen, China; Estocolmo, Suécia e Oslo; Noruega. De volta à Europa, em agosto, ganhou a etapa da Silésia (Polônia), melhorando ainda mais seu resultado no ano: 46.43. O auge veio em Zurique, com o recorde mundial. E, em Bruxelas, com o terceiro título da Diamond League. Fechou a temporada na Europa com o Ultimate.
Ficha técnica
Alison Brendom Alves dos Santos
Data e local de nascimento - 3/6/2000 (26 anos) - São Joaquim da Barra (SP)
Treinador - Felipe de Siqueira
Clube - Pinheiros (SP)
Recorde pessoal - 45.80 - 27/8/2026 - Zurique (SUI), recorde mundial, sul-americano e brasileiro
Principais títulos - Campeão mundial em Eugene-2022, vice-campeão mundial em Tóquio-2025, duas vezes medalhista olímpico de bronze (Tóquio-2020 e Paris-2024), tricampeão da Diamond League (2022, 2024 e 2026), campeão dos Jogos Pan-Americanos Lima-2019 e medalha de bronze no Mundial Sub-20 Tampere-2018.
Títulos
1º lugar - 400 m com barreiras - Mundial de Eugene-2022 - 46.29 (19/7/2022)
1º lugar - 400 m com barreiras - Final da Diamond League de 2026 - 46.70 (5/9/2026)
1º lugar - 400 m com barreiras - Final da Diamond League de 2024 - 47.93 (14/9/2024)
1º lugar - 400 m com barreiras - Final da Diamond League-2022 - 46.98 (8/9/2022)
1º lugar - 400 m com barreiras - Jogos Pan-Americanos de Lima-2019 - 48.45 (8/8/2019)
1º lugar - 4x400 m misto - Mundial Sub-18 Nairóbi-2017 - 3:21.71 (16/7/2017)
2º lugar - 400 m com barreiras - Mundial de Tóquio-2025 - 46.84 (19/9/2025)
2º lugar - 4x400 m misto - Mundial de Revezamento da Silésia-2021 - 3:17.54 (2/5/2021)
3º lugar - 400 m com barreiras - Olimpíada de Paris-2024 - 47.26 (9/8/2024)
3º lugar - 400 m com barreiras - Olimpíada de Tóquio-2020 - 46.72 (3/8/2021)
3º lugar - 400 m com barreiras - Mundial Sub-20 Tampere-2018 - 49.78 (14/7/2018)
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Publicado pela Plataforma SGE da Bigmidia - Gestão Esportiva com Tecnologia
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